Terremoto no Maranhão


Por em 3 de janeiro de 2017



Nesta manhã de terça-feira por volta de 9h50min o Maranhão sofreu um terremoto com magnitude de 4,7 na escala Richter. Com esta intensidade o terremoto é classificado como ligeiro, ocasionando tremor notório de objetos no interior de habitações, ruídos de choque entre objetos dentre outros pequenos movimentos vibratórios. Danos importantes nestes casos são pouco comuns. De acordo com o Centro Nacional de Sismologia da USP, o epicentro ou centro do terremoto ocorreu na cidade de Belágua no Maranhão a cerca de 100 km de São Luís. Além de São Luís o terremoto atingiu as cidades de Itapecuru-Mirim, Nina Rodrigues, Vargem Grande, Axixá, São Benedito do Rio Preto, Timon e a cidade de Teresina.

Os terremotos são também chamados de abalos sísmicos ou tremores de terra. Eles resultam da dinâmica interna da Terra, e libera rapidamente grandes quantidades de energia produzindo ondas (vibrações ou tremores). Essas vibrações se propagarem pela Terra em extensões diretamente proporcional à força com que são produzidos os abalos. A força de um terremoto também denominada de magnitude é medida através de escalas, a mais conhecida é a de Richter que varia de zero a 10.

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Figura 1. Epicentro do terremoto na cidade de Belágua

Quando a magnitude atinge valores superiores a 6 graus, os efeitos dos terremotos podem ser destrutivos em lugares habitados. A mais elevada magnitude registrada foi de 9,5 graus, no Chile, em 1960. No Brasil o maior terremoto ocorreu no estado de Mato Grosso em 1955 com magnitude 6,6. O terremoto ocorrido hoje no Maranhão é classificado como ligeiro, com magnitude de 4,7.

Para a Engenheira de Minas e professora de Geologia da UEMA, Karina Pinheiro, os tremores ou abalos sísmicos, podem estar associados a eventos externos, chamados de atectônicos ou a processos interno (interior da Terra), chamados tectônicos. Os tremores atectônicos podem ocorrer devido ao emprego de carga explosiva no desmonte de rochas na mineração, na construção civil, ou mesmo, pelo rompimento de barragens, a exemplo de Mariana, ou ainda, por impactos de meteoros, dentre outros. Os terremotos de origem tectônicos ocorrem devido ao deslocamento de placas tectônicas, causando falhamentos.

Ainda de acordo com a professora Karina Pinheiro, o que provavelmente pode ter ocorrido hoje que alcançou os Estados do Maranhão, Piauí e Ceará, foi atividade tectônica resultante do deslocamento de falhas geológicas. O resultado deste deslocamento pode gerar a acomodação de camadas ou estratos em bacias sedimentares, como foi sentido em vários pontos de São Luís. Segundo estudiosos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), nesta situação podem ocorrer mudanças no nível estático e turbidez nas águas de poços. Sugere-se para isto, a consulta junto a CAEMA ou às empresas de perfuração de poços para confirmação, a exemplo de situações semelhantes que ocorreram em poços em Curitiba e arredores por conta de terremoto no Chile.

O professor de Geografia Física da UEMA, Luiz Jorge Dias, também confirmou que a causa deste abalo foi uma acomodação de placas. “Isso acontece quando as rochas estão absolutamente saturadas por conta do peso do solo para baixo. Isso permite com que a retirada de água e a injeção das rochas se acomodem do solo até alguns poucos quilômetros de profundidade. Isso é bastante comum em áreas sedimentares como é o caso da nossa região, que são rochas mais recentes, menos instáveis e estão sujeitas a isso. Há falhas geológicas na zona costeira maranhense inferida por gel magnetismo  não sendo perceptível na superfície fazendo com que haja propagação mais concentrada. Em 1994 aconteceu um terremoto semelhante por conta de um tremor ocorrido no Chile. Nos próximos dias poderão acontecer abalos secundários então é preciso que os órgãos responsáveis fiquem em alerta, principalmente em relação aos prédios que estão com estrutura comprometida”.

Para a professora Karina Pinheiro, apesar do Brasil se localizar no centro da Placa Sul-Americana, distante da zona de instabilidade tectônica (encontro de placas), há de se considerar que o desgastes na placa, de aproximadamente 200 quilômetros de espessura, pode causar falhas geológicas, podendo provocar tremores com epicentros nos países da América Latina. Desta forma ressalta-se que o Brasil não está de um todo livre da ocorrência de tremores de terras, apesar destes não causarem grandes destruição em infraestruturas. O tremor de terras ocorrido hoje certamente nos deixa um legado – a oportunidade de uma reflexão sobre o processo de uso e ocupação dos espaços urbano e rural, especialmente sobre o uso dos recursos hídricos subterrâneos no estado do Maranhão.

 Documento elaborado em conjunto com o Núcleo Geoambiental da UEMA.

São Luís, 3 de janeiro de 2017.



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