DISCURSO DE POSSE
DO REITOR
JOSÉ AUGUSTO SILVA OLIVEIRA
INVOCANDO a proteção de Deus e a favorável acolhida dos homens de boa vontade, reassumo, hoje, o cargo e os encargos de Reitor da Universidade Estadual do Maranhão, realimentando o meu espírito com os indumentos da humildade e da coragem, virtudes que, nos jardins de minha devoção mais íntima, passeiam de mãos dadas, como irmãs inseparáveis.
A posse de um reitor é sempre uma ocasião importante na vida da instituição universitária. É um momento de reafirmar a missão institucional, de celebrar conquistas, mas, sobretudo, de avaliar o passado, rever objetivos e estabelecer prioridades no enfrentar de um novo período de trabalho.
É uma grande honra, que se conjuga a uma responsabilidade imensa, um enorme desafio portanto, o ter sido escolhido pela comunidade da Uema, para reassumir o posto mais alto da sua administração. Ao mesmo tempo, uma grata satisfação. Sou filho desta Casa. Sou professor desta Casa. Aqui fiz opção preferencial pela docência. Aqui professei minha fé inabalável na Ciência e na Cultura como instrumentos de promoção do homem a patamares de vida plena e fecunda.
Hoje, reafirmo o compromisso indeclinável de conduzir esta Universidade, mais uma vez, como Reitor. Uma Universidade que não é só minha, dos seus Conselhos, dos seus professores e dos seus alunos. Uma Universidade que é de todos. Uma Universidade que, insisto em dizer, é do Maranhão e do povo que aqui vive.
A administração de até ontem abre espaço, hoje, a novas perspectivas, amplia-se com outros pontos de vista. Para uma instituição que tem por dever a criatividade permanente, eis o momento de consolidar ideias, rever práticas, insuflar-se de ares que lhe renovem a atmosfera.
À Senhora Governadora do Estado, Dra. Roseana Sarney Murad, prometo, se não a infalibilidade do êxito, sempre, todavia, a minha lealdade inquestionável. E sejam, todos os que me ouvem, testemunhas do meu agradecimento à Governadora, por haver, prontamente, homologado o ato do Conselho Universitário, que traduziu a livre decisão da comunidade da Uema em me fazer, novamente, Reitor. Espero, em contrapartida, contar com a luz da sua experiência, a permitir-lhe assegurar-me o necessário apoio, para que eu possa bem desincumbir-me da missão ora assumida. Compartilho da sua visão de que um Estado forte é um Estado que dispõe de uma Universidade forte. E o Maranhão quer ser forte.
A Universidade é a primeira alavanca do desenvolvimento se, de fato, falamos em desenvolvimento em sentido integral, humanístico, capaz de promover a inclusão social; se queremos, em nosso próprio território, preparar a juventude que logo mais possa assumir as altas responsabilidades de governar, produzir, competir, liderar.
Eis porque, no início, declarei-me revestido, também, da indumentária da coragem. Coragem de quem planeja prevendo, medindo consequências, confrontando meios e fins, calculando custos e riscos, sem medo, mas sem imediatismos, sobretudo sem condescendências alheias à política da própria Universidade.
Coragem, repito e reafirmo, coragem humilde de quem aprendeu e continua aprendendo a conjugar este verbo, tão generoso e efetivamente cristão, que é dividir. Coragem que tão bem pode traduzir-se no carisma para liderar inteligências, coordenar vontades, somar forças criativas... Coragem que também pode resumir-se na disponibilidade, na abertura de quem se dispõe (e se detém) a ouvir, compartilhar, a praticar a arte de convencer e de convencer-se, de quem quer ser prudente sem ser temeroso, de quem quer ser sábio sem meter-se a vaidoso, de quem quer ser forte sem fazer-se arrogante, de quem quer ser justo sem chamar a atenção. Que Deus me conceda a graça dessas virtudes, e os meus colaboradores não me neguem o penhor de sua compreensão e do seu apoio.
Distintas autoridades,
Senhoras e Senhores Membros da Comunidade Acadêmica:
Creio não ser necessário, aqui, referir-me novamente ao que entendo deva ser e ter esta universidade. A esse respeito, meu pensamento está expresso no Plano de Gestão 2007/2010, que balizou o nosso reitorado e que, enriquecido com o Plano Estratégico 2009/2012, constituiu a plataforma que este Reitor e outros companheiros construíram para apresentar à nossa Comunidade Acadêmica e, consequentemente, obter o seu apoio no conduzir dos rumos desta Universidade de todos nós.
Aqui e de pronto, estendo minhas mãos, num gesto sincero de agradecimento, a todos que participaram deste processo e disponibilizaram suas inteligências, sua força de vontade, seu idealismo, na consumação do êxito do reitorado 2007-2010. Pró-reitores, assessores, docentes e servidores técnicos e administrativos. Obrigado pela dedicação e seriedade dos trabalhos, pela lealdade à gestão.
Ao professor Gustavo Pereira da Costa, meu companheiro como Vice-reitor, hoje reconduzido ao mesmo cargo, com todos os méritos, registro o meu pessoal reconhecimento por sua edificante carreira, construída como professor da Uema e pela inequívoca competência e solidez de princípios com que se tem havido nos diferentes desafios, no gerir dos destinos de nossa instituição. Que Deus nos ilumine, nesta nova etapa, inspirando-nos, sempre, com Sua sabedoria infinita.
Os quatro anos do nosso Reitorado foram profícuos em ensino-aprendizado. Aprendi muito no cotidiano acadêmico, com os problemas e as circunstâncias próprias do ambiente universitário. Pouco a pouco cheguei a uma compreensão maior e melhor da Uema, em sua complexidade, da energia vibrante de sua comunidade às múltiplas exigências que lhe chegam da sociedade.
Quase ao final da jornada, avaliei minha disposição em dar sequência ao que havia iniciado. E percebi, com humildade, um sentimento de dever (quase obrigação) em me disponibilizar para tal.
Hoje, estou consciente, mais e mais, dos caminhos por onde ando, conhecendo bem mais e melhor o chão em que semeio a semente de meus sonhos.
É preciso navegar rumo ao futuro, construindo-o. É preciso olhar e caminhar para a frente. É nesse desbravar que despontam os desafios.
Para começar, cobremo-nos, em vigilante reciprocidade, e repetidamente, a missão da Uema:
“Servir à sociedade, oferecendo formação educacional de excelência orientada para a cidadania, produzindo conhecimento e prestando serviços de qualidade, por meio de uma gestão participativa com responsabilidade social e ambiental”.
Missão que, para cumpri-la, como decisão da melhor política e como imperativo ético, impõe-se seja dada prioridade às áreas e setores que mais rápida e eficazmente respondam às possibilidades de um desenvolvimento humano justo e equilibrado.
A Qualidade, meta mobilizadora do meu primeiro reitorado, certamente, continuará presidindo nossas decisões e orientando nossos compromissos.
Quero ser o Reitor da Qualidade. Estarei sempre convencido de que, em uma casa de altos saberes, a melhor e mais exata medida da Qualidade efetua-se na valorização daqueles que nela se dedicam ao ensino e à pesquisa, pois a melhor universidade é a universidade dos melhores. Ao mesmo tempo, a melhor Qualidade Acadêmica é a que se faz sinônimo de Qualidade de Vida. Para isso, é que urge o investimento em ciência, tecnologia e inovação. Daí, poder-se assegurar que a melhor qualificação técnico-profissional é a certeza de melhores empregos, geração de divisas, produção de riquezas.
Para que a colaboração com o poder público seja efetiva e produtiva, continuaremos a dar prioridade à Pós-Graduação e à Pesquisa, convencidos de que na Universidade, valem mais os cérebros bem qualificados.
Na medida em que a Universidade se mantenha permanentemente capacitada, do ponto de vista científico e tecnológico, poderá apoiar e impulsionar o desenvolvimento do Estado, em seus diferentes setores e aspectos, tornando-o sustentável, solidário e justo.
Professo minha fé em que o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado do Maranhão obriga o surgimento e a expansão de nosso quadro de pesquisadores. A eles e aos professores mais experientes, compete pensar, articular e desenvolver ações que visem à melhoria do ensino de graduação e à criação de um verdadeiro ambiente acadêmico.
Quero, igualmente, continuar a ser o Reitor-Professor. Em primeiro lugar, porque não o seria de outra maneira. E, sobretudo, porque, para tirar vantagem desta opção preferencial, pretendo que a nossa pedagogia sempre se enriqueça com a Pedagogia do Planejamento Estratégico. Em qualquer âmbito por onde a Uema estenda o seu raio de influência, estejamos cientes de que continuaremos a atribuir grande importância à ação planejada, pela qual se meçam os passos e os espaços percorridos, os custos e as canseiras das realizações, os programas cumpridos e os progressos alcançados, face aos imensos desafios com que o Maranhão interroga a inteligência universitária.
Também, continuaremos a levar a efeito de maior eficácia, a otimização Custo-Benefício. Numa circunscrição acadêmica, em cujo meio há enormes carências, das mais diversas ordens, impõem-se, como exigência prioritariamente ética, a parcimônia com os dispêndios e o cuidadoso monitoramento dos recursos postos a sua disposição.
Para dar pleno cumprimento ao que é intrínseco à missão universitária, proponho dar ágil sequência à revisão dos documentos constitutivos da Uema, de modo a redesenhar a sua estrutura físico-institucional e administrativa, e assim conseguir integrar, num corpo orgânico unitário, a multiplicidade de ações em que simultaneamente se desenvolve o seu cotidiano.
Sou inteiramente sabedor de que o crescimento da Universidade, nos últimos tempos, não tem correspondido à expansão paralela de seu quadro de pessoal. E por isso, a nossa agenda contempla, em prioridade, promover a ampliação e ocupação das vagas para docentes. Muito em breve, pleitearemos ao Governo, abrir mais concursos para atendimento de nossa demanda acadêmica.
E não esqueço, por um só instante, o Plano de Carreira, Cargos e Salários dos Servidores Técnicos e Administrativos desta Universidade, medida de equalização que já tarda em ser implementada.
Devo enfatizar que a Universidade será o que forem os seus alunos, em seu entusiasmo, em seu idealismo, na espalhafatosa galhardia de seus sonhos. E o estudante é o maior beneficiário da exigência de Qualidade, sujeito ativo e porta-voz de seus efeitos. Qualidade que se evidencia na melhoria visível da motivação desse alunado para o estudo, o compromisso para com o trabalho, o desempenho acadêmico.
E não poderia omitir uma chamada de atenção, mesmo numa universidade de feição marcadamente técnico-pragmática, para a necessidade de aprofundarmos o nosso olhar na direção das artes, das pesquisas históricas, da defesa do patrimônio cultural. Cabe à Uema exercer uma missão peculiar no que toca a preservar a identidade daquilo que é um grande tesouro deste Estado: a sua cultura.
Distintas autoridades,
Senhoras e Senhores Membros da Comunidade Acadêmica:
Encanta-me a juventude da nossa Casa e, ao mesmo tempo, desafia-me a multiplicidade de problemas que constituem o barro a amassar em nosso dia-a-dia. Como já disse à primeira vez, temos muito o que fazer. Graças a Deus!
Porque sou o Reitor de uma Universidade nova, quero contribuir, também, na edificação de uma universidade jovial, alegre e atlética, uma universidade apta às mais grandiosas façanhas. E não vejo longe o dia em que possam, os nossos doutores, premiarem-se e nos premiarem com medalhas olímpicas de produtividade intelectual. Para chegarmos a tal ponto de culminância, adapto para mim o apelo feito por John Kennedy, em seu discurso inaugural de presidente dos Estados Unidos: “Permitam-me todos solicitar-lhes abnegação e sacrifício, em medida igual à que eu me tomarei por exigido. Tendo não mais que uma consciência apaziguada como recompensa, trabalhemos com a certeza das bênçãos de Deus, mas certos de que o trabalho de Deus aqui na terra é o trabalho de nossas próprias mãos”.
Permitam-me, neste instante, fechar os olhos, para expandir a visão de minh’alma e contemplar a figura de meu pai, Manoel Quadros de Oliveira, servidor da Causa Pública, a quem reverencio com eterna saudade.
Minha homenagem à Senhora Maria de Lourdes Silva Oliveira, minha mãe, fonte inesgotável de amor, carinho e apoio incondicional. Sempre presente em tantos momentos importantes de seus filhos, desta feita, preferiu ficar em casa, como disse: cuidando da saúde!
Ambos me ensinaram, por suas ações, a importância da vida em família, da integridade, da honestidade e do valor do trabalho.
Agradecimentos especiais dirijo às duas famílias que, neste momento, me presenteiam com seu comparecimento a esta solenidade: o ambiente doméstico que me deu o alento da vida e da esperança – aqui representado por Aidê e meu filho Marcus – e a generosa Família do Rotary Club, que me deu braços alargados para servir, servir sempre, sem interesses.
Registro a alegria de Pedro Henrique e Luciana, meu filho e minha nora, que não podendo comparecer a esta cerimônia, face a compromissos profissionais, solicitaram-me fosse portador de agradecimentos à comunidade da Uema, pela honraria em me acolher como seu Reitor.
Comigo se encontram ainda irmãos, sobrinhos, tios e primos que, em uníssono, agradecem o alto prestígio que, para toda a nossa Família, representa esse gesto de confiança, chancelado pelo Conselho Universitário e pelo ato homologador da Senhora Governadora do Estado.
Por não terminar em mim mesmo, mais uma vez tomo de empréstimo esta mensagem de Fernando Pessoa, para resumir-me de dentro de minha própria essência: “Viver não é necessário. O que é necessário é criar. Não conto gozar a vida, nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo”.
Fogo que arderá por uma causa: por esta Casa. A Universidade Estadual do Maranhão.
Muito obrigado.
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