Cavernas do Maranhão são objetos de estudo de pesquisa da Uema

O Curso de Geografia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) desenvolve o projeto “Cavernas do Maranhão: mapeando o patrimônio espeleológico”, coordenado pelo professor Cláudio Eduardo de Castro e por alunos de iniciação científica. O trabalho conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão (Fapema) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O objetivo é descobrir, topografar e catalogar cavernas do Estado do Maranhão, registrando esses ambientes que, além de serem uma das formações geomorfológicas da crosta terrestre (relevo), abrigam, em alguns casos, recursos arqueológicos que podem contribuir na elucidação do passado.

A primeira etapa da pesquisa descobriu 5 cavernas na Ilha do Medo, em São Luís, formadas pela ação das ondas do mar que foram topografadas e estão em estágio final de construção dos mapas para que possam ser incluídas no Cadastro Nacional de Cavidades, da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE).

De acordo com o professor Cláudio Eduardo Castro, essas cavernas estão na face Nordeste da Ilha perpendicular à direção dos ventos que predominam na região, e que contribuem para a formação das ondas que esculpiram o arenito Itapecuru dando origem às cavidades. O professor explica ainda que as ondas contribuem para que a travessia da baía de São Marcos, entre São Luís e Alcântara, receba ondas de grande amplitude, no sentido lateral das embarcações.

 “Os barcos que saem da Praia Grande para a travessia, encontram águas calmas à foz dos rios Bacanga e Anil, até chegarem nas proximidades da ilha, quando recebem as ondas que balançam os barcos lateralmente. No passado, as embarcações eram menores e mais leves, feitas em madeira, fazendo com que o balançar causasse a sensação de medo aos tripulantes e passageiros, daí o nome da ilha: Medo”, acrescenta o pesquisador.

Atualmente, apenas três famílias moram no local. As demais casas existentes são de ex-moradores que mudaram-se para São Luís mas que não perderam o vínculo com o lugar ou, ainda, abrigam os que ainda voltam para viver a pesca em suas praias desertas, mantendo a tradição que não pode se manter na metrópole.

“Os moradores contam que as cavernas servem de abrigo quando estão pescando nessa face da ilha e em uma dessas jornadas, assim que saíram da maior delas, ouviram um grande estrondo. Um grande bloco, hoje no chão, se desprendeu do teto, não os atingindo por questão de poucos minutos”, explica o professor Cláudio, que acredita em mais descobertas de histórias sobre a relação homem-caverna a partir do trabalho, e que estas contribuirão com o conhecimento sobre esses ambientes para futuras pesquisas e para o cadastramento nacional.

A pesquisa encontrará, ainda, cavernas no Centro, Sul e Sudoeste do estado, locais habitados há mais de 6.000 anos por ancestrais dos índios que cotidianamente utilizavam esses ambientes como abrigo, num período em que ainda não se aldeavam em construções como os índios contemporâneos e dependiam de migrações sazonais para sobreviver.

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