Relações de trabalho em mineradoras são tema de debate no Seminário Carajás


Por em 7 de maio de 2014



Como parte da programação do Seminário Internacional Carajás-30 anos, a mesa redonda intitulada “Relações de trabalho na grande Carajás”, realizada nessa terça-feira (6), na Universidade Federal do Maranhão (Ufma), propiciou a discussão acerca das formas de precarização do trabalho, especialmente as praticadas pelas empresas mineradoras.

O momento, mediado pela professora Zulene Muniz, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioespacial e Regional (PPDSR-Uema), contou com a participação do sociólogo José Ricardo Ramalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fabrícia Carvalho, representante do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (CDVDH), e Judith Marshall, da United Sttelworkers, no Canadá.

Durante a mesa, os presentes puderam expor dados e incitar o debate sobre a exploração da mão de obra e condições de trabalho desumanas, muitas vezes análogas à escravidão.

Segundo Zulene Muniz, coordenadora da mesa, a ocasião é uma oportunidade de pensar meios de internacionalismo dos trabalhadores preconizados. “Este é um grande encontro entre Universidade e Movimentos Sociais, que visa discutir a mineração e seus impactos nos territórios. O cenário atual, de grande poder dessas empresas, nos coloca o desafio de buscar alternativas para unir os trabalhadores afetados pelas más condições de trabalho em todo o mundo, e é isso que estamos tentando fazer”.

De acordo com Judith Marshall, pesquisadora sobre as relações de trabalho da mineradora Vale em países como o Canadá, Moçambique e Brasil, há uma grande tensão nos ambientes de trabalho desse segmento e a resistência dos trabalhadores por meio da organização sindical torna-se imprescindível.

 “Temos realizado um trabalho intenso relacionado a essas questões, por meio da atuação sindical. Enfocamos os impactos que atividades como a siderurgia, dentre outras, causam nas comunidades e nas próprias fábricas. Para nós, é um desafio questionar o poder de empresas multinacionais como a Vale, por exemplo, considerando seu poder destrutivo sobre nossas vidas, nossas comunidades, nosso planeta”, destacou a pesquisadora.

Seminário Carajás – O evento, que está sendo realizado entre os dias 5 e 9 de maio, tem o objetivo de debater sobre os impactos socioambientais causados pela atividade mineradora e de siderurgia, por meio de projetos de desenvolvimento do Programa Grande Carajás, que afeta municípios dos estados do Pará e Maranhão.

O evento conta com a participação de professores, pesquisadores, estudantes do ensino básico, superior e de pós-graduação, militantes sociais, lideranças comunitárias, assessores e especialistas na questão dos movimentos socioambientais da Amazônia, do Brasil e de outros países da América Latina e da África.

É promovido em parceria com o Movimento dos Sem Terra, Cáritas Brasileira, Justiça nos Trilhos, Fórum Carajás e Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente. O seminário conta ainda com o apoio da Universidade Estadual do Maranhão, Fundação Rosa Luxemburgo, Fundo Humanitário dos Trabalhadores do Aço, além de instituições de ensino superior e de incentivo à pesquisa.

 



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