Acadêmicos do Campus Caxias promovem evento para debater racismo

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Na noite de terça-feira, 9 de julho, um evento realizado no Auditório Leôncio Magno, Campus Caxias, intitulado “Diferentes Cores, Múltiplas Formas: o Respeito ao Outro na Interdisciplinaridade”, tratou sobre o racismo em três aspectos: psicológico, educacional e jurídico. O evento foi organizado por alunos do 1º Período de Pedagogia, sob coordenação da professora Márcia Santos, e teve o apoio do Núcleo de Acessibilidade da UEMA Caxias.

Para falar sobre o tema foram convidados o professor Reinaldo dos Santos Barroso Júnior (UESPI/UEMA/ NEÁFRICA – Núcleo de Estudos África e o Sul Global); o Juiz de Direito da 5ª Zona Eleitoral e da 4ª Vara de Caxias, Antônio Manoel Araújo Velozo e o psicólogo Luís Fernando da Silva Rocha.

O assunto “Racismo e História” foi apresentado pelo professor Reinaldo dos Santos: “O racismo não é atual; ele vem se moldando, se repetindo. Somos envolvidos em comentários perniciosos sobre nossa cor que envolvem até nossos parentes. Nos livros didáticos o escravo é um elemento coisificado, tratado como um objeto, uma peça. O tempo todo lhe é negada a presença racial. E nessas obras não há informações sobre o que aconteceu com eles após a abolição”, explicou.

De acordo com o professor, no período escravocrata os brancos eram tão poderosos ideológica e financeiramente que terceirizavam suas ações de dominação. Exemplo disso era quando colocavam negros para castigar outros negros em praça pública. Essa espetacularização atestava o regime de poder.

O Juiz Manoel Velozo fez uma interpretação do racismo a partir do Direito: “Existem apelidos sutis que escondem o racismo. O Direito é um fenômeno histórico e mutável e existem adesões voluntárias às normas jurídicas. Quando isso não ocorre o Direito é acionado; ele entra para que o racismo tenha uma resposta. A Lei 7.716/88 deu status constitucional ao crime de racismo, disciplinando o processo de apuração”, disse.

O magistrado explicou que, enquanto a injúria ataca a honra do ofendido e a pena chega a 6 meses de prisão, o racismo ocorre quando o agressor produz ofensa em relação à raça negra (apesar de feita contra uma pessoa, há uma generalização). Nessa situação a penalidade pode chegar a 5 anos de cadeia. Há casos em que se faz uma desclassificação, quando o racismo é reduzido para injúria. Junto com a falta de notificação, isso gera impunidade.

O aspecto “Racismo e Políticas Públicas” foi abordado por Luís Fernando:” Construir pontes que aproximem realidades de brancos e negros no Brasil é um desafio monumental de engenharia social e econômica. O negro, sozinho, tem conseguido uma vida melhor, conquistando cargos, ganhando espaços. Mas a superação do abismo está distante. As Políticas Publicas melhoraram e há uma promoção da igualdade racial. Mas precisamos avançar. A cor não é uma informação coletada pelos órgãos responsáveis. Hoje podemos ver crianças negras sofrendo “bullyng”. Por ser discriminado o negro pode adoecer psicologicamente e até cometer suicídio. É importante levar discussões assim para fora da universidade”, acredita.

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O psicólogo acredita que a superação do racismo está no processo educacional da criança na família e em outras instituições, quando a personalidade dela está sendo formada. Isso parte de um padrão emocional, comportamental, de hábitos. O racismo pode surgir da cultura, do ambiente familiar da criança.

A professora Márcia Santos falou sobre a atividade: “É uma oportunidade para discutir algumas questões complexas que assolam a humanidade, sobretudo o racismo. Entendemos que poderíamos abrir as portas para esses palestrantes. Isso nos ajuda a compreender quais são os mecanismos que devemos utilizar para a superação desse fenômeno que deprime o mundo, sobretudo a sociedade brasileira”, disse.

A aluna Anne Karoline, da equipe organizadora, se pronunciou: “Devemos conscientizar as pessoas que atitudes racistas devem ser combatidas. O tema é focado na raça negra mas temos que observar todas as etnias.”, falou.

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Por Emanuel Pereira/CESC

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