Pesquisadores da UEMA investigam patologias fúngicas em peixes cultivados no Maranhão


Por em 27 de maio de 2021



                                     

O Brasil e o Estado do Maranhão têm potencial para a aquicultura, em especial, por sua disponibilidade hídrica, clima favorável e ocorrência natural de espécies aquáticas que compatibilizam interesse zootécnico e mercadológico. No entanto, a ocorrência de enfermidades nos animais cultivados é um fator limitante para o desenvolvimento da piscicultura, ocasionando perdas massivas com sérios prejuízos econômicos. No caso particular do Maranhão, tem-se aqui algumas pisciculturas administradas por pequenos produtores, todavia, até o desenvolvimento deste estudo, não existia qualquer informação sobre a qualidade sanitária desses locais de criação e sobre a sanidade dos animais.

“A ideia central do projeto se alinha à demanda Estadual, orientada pelo Programa “Mais Produção” que, a partir do Decreto nº 30.851 de 11 de junho de 2015, passou a coordenar um conjunto de ações integradas na agricultura, pecuária, pesca e aquicultura, com foco no abastecimento em todo o Maranhão. Assim, inicialmente a proposta de trabalho se concentrou em entender a dinâmica produtiva de tilápias na Ilha de São Luís, passando por análises realizadas a partir de coletas e aplicação de questionários em pisciculturas distribuídas pelos quatro municípios que compõem a Grande Ilha. presença de fungos e leveduras parasitando pele e brânquias de diferentes exemplares. Na segunda, identificar, a partir de análises morfológicas, citopatológicas e moleculares, as principais espécies de ocorrência nesses agroecossistemas e determinar em que medida estas se configuram como fatores limitantes à produção aquícola maranhense,” explica a coordenadora do projeto Profa. Dra. Ilka Serra do DBIO.

A pesquisa é desenvolvida pela coordenadora Profa. Dra. Ilka Serra do DBIO, juntamente com o Prof. Dr. Thiago Anchieta de Melo e a aluna egressa do PPGRAP, Profa. mestre Ingrid Tayane. O  grupo de pesquisa consta, hoje, com a participação de dois alunos de mestrado, quatro alunos de Iniciação Cientifica e um aluno de extensão. Além do desenvolvimento da pesquisa no Laboratório de microbiologia, é realizado um trabalho colaborativo com outros pesquisadores de diferentes laboratórios: Laboratório de Biologia Molecular com apoio da Prof.ª Lígia Thaicka e Laboratório de Morfofisiologia Animal com a Prof.ª Débora Martins Silva Santos.

Iniciada em 2017 , a pesquisa foi realizada em três pisciculturas localizadas em São José de Ribamar e três em Paço do Lumiar com análise microbiológica e físico-química da água e de amostras de pele e brânquia de tilápias. As análises histológicas revelaram alterações morfológicas nas brânquias de todos os peixes analisados e, chamamos atenção para a presença de coliformes totais com elevados valores para as pisciculturas de São José de Ribamar que apesar da legislação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) não haver valores máximos recomendado, devemos estar atentos.

A presença da bactéria Escherichia coli foi verificada também em cultivo localizado em São José de Ribamar indicando contaminação fecal da água do viveiro, uma vez que essa bactéria pertence à microbiota intestinal de animais homeotérmicos pela vazão de alguma fonte de efluente doméstico diretamente no viveiro ou no poço artesiano que abastece a piscicultura.

Durante o projeto foi possível identificar uma espécie nova de levedura a Candida duobushaemulonii em peixes cultivados  em São José de Ribamar e Paço do Lumiar . A espécie já foi relatada em alguns países como China, Índia, Panamá e em 2016 no Brasil, sendo estes isolados a partir de fontes clínicas. A espécie encontrada nessa pesquisa representa o primeiro registro no Brasil e pode representar um potencial risco de infecção para o homem, uma vez que a contaminação de alimentos por patógenos pode ocorrer em qualquer ponto da cadeia produtiva.

A pesquisa aproximou a Universidade dos produtores de peixes do Maranhão de forma que ambos foram beneficiados. “ Nós por obtermos materiais para estudo e eles também, uma vez que os resultados das análises foram compartilhadas com todos os produtores. Produzimos a cartilha e conseguimos distribuir alguns exemplares, inclusive estamos com proposta de submissão de projeto de extensão para a distribuição sistematizada, mas no momento foi interrompido por conta da pandemia. Em conjunto, as diferentes fases deste estudo se alinham a um único propósito: aumentar a disponibilidade do pescado de qualidade no Estado e fortalecer a cadeia produtiva da piscicultura no Maranhão”conclui a Profa. Dra. Ilka Serra.

Com a análise da sanidade dos peixes tem sido possível diminuir as taxas de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) associadas ao consumo de pescados, uma vez que a contaminação de alimentos por patógenos pode ocorrer em qualquer ponto da cadeia produtiva, inclusive na produção, e isso se torna um risco quando o peixe é consumido cru ou mal cozido. A pesquisa já foi realizada em pisciculturas localizadas em São José de Ribamar, Paço do Lumiar, na Baixada Maranhense representado por Itans (Matinha) e Cacoal (Viana) e atualmente estamos realizando coletas em Tutóia.

Os resultados obtidos nessa pesquisa gerou publicações importantes em revista de alto impacto, como exemplo na revista Aquaculture Research o artigo intitulado “Quality of water from fish farms and histopathological analysis of tilapia (Oreochromis sp.) in São José de Ribamar and Paço do Lumiar, state of Maranhão, Brazil” e o  artigo “Registry of saprolegniose in fish cultivated in the world: a compilation of data” publicado na Revista Research, Society and Development. Alem de participação no XV Congresso Brasileiro de Ecotoxicologia – Ecotoxi, 2018.

Confira os artigos completos nos seguintes links: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/9556https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/are.15260

Ainda fruto dessa primeira etapa do projeto, em 2018, foi lançada a cartilha “Manejo e sanidade na piscicultura: Boas práticas para evitar doenças” na XIII Mostra Acadêmico-Científica em Ciências Biológicas com a tiragem de 500 exemplares com o intuito de distribuir para os produtores de peixes da região. O material didático reúne informações importantes como orientações sobre o manejo adequado para evitar doenças nos peixes cultivados, instruções de como manter uma boa qualidade da água, manutenção dos equipamentos usados nos viveiros e uma tabela para auxiliar na biometria dos peixes.

E de forma inovadora o projeto lançou um curso na modalidade de MOOCs, cursos abertos 2019, na plataforma Eskada da UEMA intitulado “Manejo e sanidade na produção de peixes e mariscos” com participação de mais 3.000 alunos de diferentes estados brasileiros e ate outros países.

Conheça o curso: https://eskadauema.com/theme/olm/catalog.php?category=13

                                                       

Por Priscila Abreu



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