Aula de campo no Quilombo do Frechal integra tecnologia, memória e território no ensino de História
Por Assessoria de Comunicação Institucional em 15 de janeiro de 2026

Alunos do curso de História do Polo Apicum-Açu, do Program Ensinar/Uema, participaram de uma aula de campo no Quilombo do Frechal, localizado no município de Mirinzal (MA). A atividade, intitulada “Escutas do Frechal: caminhos tecnológicos entre vozes, imagens e memórias do território”, integrou a disciplina Tecnologias Aplicadas ao Ensino de História, ministrada pela Profa. Dra. Reinilda Oliveira, e teve como foco a articulação entre história, território e tecnologias digitais.
A proposta da aula de campo foi promover uma experiência de aprendizagem que reconhecesse o Quilombo Frechal como um espaço vivo de memória, identidade e resistência. Por meio do contato direto com a comunidade, os estudantes puderam desenvolver competências de documentação e interpretação do território, utilizando recursos tecnológicos trabalhados ao longo da disciplina, como fotografia, documentário, entrevistas, podcast, quiz e georreferenciamento. A atividade também reforçou práticas éticas de pesquisa comunitária, fundamentadas na escuta respeitosa, no consentimento e na coautoria, valorizando os saberes locais.
Para a realização da atividade, a turma foi dividida em cinco grupos, cada um responsável por uma dimensão específica do território quilombola. O Grupo Memórias Vivas registrou narrativas orais de moradores mais antigos, investigando histórias sobre o passado e o significado de ser quilombola. O Grupo Espaços do Território mapeou e fotografou locais de importância simbólica e cotidiana, como roças, igarapés, casas de farinha, moradias tradicionais e espaços de celebração. Já o Grupo Cultura e Tradição documentou manifestações culturais, incluindo cantos, danças, instrumentos e a culinária local. O Grupo Marcas da Resistência observou elementos relacionados à luta por terra, autonomia e identidade, enquanto o Grupo Ofícios e Economia investigou os trabalhos tradicionais e as atividades econômicas desenvolvidas na comunidade.

Segundo a professora Reinilda Oliveira, a vivência fora da sala de aula foi fundamental para ampliar a compreensão dos estudantes sobre o fazer histórico. “Sinto que realizar esta atividade fora da sala de aula foi essencial para aproximar os estudantes da vivência territorial concreta do Quilombo Frechal. Quero que eles percebam a história não como algo distante, mas como experiência viva, inscrita no chão, nas casas, nas roças e nas pessoas que guardam o tempo no corpo e na voz”, destacou. Para a docente, o território se configura como uma fonte primária de conhecimento histórico e transforma-se em uma “sala viva”, onde a aprendizagem acontece pela escuta, pelo olhar e pelo afeto.
A experiência também foi marcante para os estudantes. Para Mateus Viana, a aula de campo ultrapassou o caráter tradicional de uma atividade acadêmica. “A visita ao Quilombo do Frechal foi muito mais que uma aula de campo: foi uma imersão profunda em um território vivo de memória, identidade e resistência. O contato com os moradores, especialmente com o senhor Inácio, guardião da memória local, nos permitiu compreender a história como presença concreta”, relatou. O estudante ressaltou ainda a importância da valorização das fontes orais e da sensibilidade diante de narrativas historicamente silenciadas, fundamentais para a formação em História.
Ao integrar tecnologias digitais, escuta comunitária e vivência territorial, a aula de campo no Quilombo do Frechal fortalece o reconhecimento das comunidades quilombolas como patrimônios vivos e fundamentais para a compreensão da história brasileira.



Por: Paula Lima/Programa Ensinar