Pesquisa da Uema estuda inseto como alternativa sustentável para alimentação humana
Por Assessoria de Comunicação Institucional em 26 de fevereiro de 2026
Estudo analisa diferentes dietas para produção do inseto e reforça seu potencial como fonte de proteína sustentável e de baixo custo.
Um estudo desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) está investigando o potencial do inseto Tenebrio molitor como fonte alternativa de proteína para a alimentação humana. A pesquisa é coordenada pela professora Gislane da Silva Lopes, do Centro de Ciências Agrárias.
O projeto, intitulado “Desenvolvimento de larvas de Tenebrio molitor L. em diferentes dietas visando a produção de insetos para a alimentação humana”, foi realizado como iniciação científica pela estudante Emanuelle Cristine Mendes Dutra, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – Fapema e graduanda do curso de Agronomia Bacharelado, sob orientação da professora.
Os insetos vêm sendo apontados por pesquisadores como fontes promissoras de proteína, principalmente por seu alto valor nutricional e menor impacto ambiental quando comparados a outras produções animais. Apesar de ainda não ser comum em países ocidentais, o consumo de insetos, prática conhecida como entomofagia, já é realidade em diversas partes do mundo.
Entre as espécies estudadas, o Tenebrio molitor, conhecido popularmente como larva-da-farinha, se destaca pelo elevado teor proteico, ciclo de vida curto e boa capacidade de conversão alimentar. Inclusive, suas larvas foram as primeiras autorizadas para uso em alimentos na União Europeia, reforçando seu potencial como alternativa sustentável.
O objetivo do estudo foi analisar como diferentes dietas influenciam o desenvolvimento das larvas e pupas do inseto, especialmente testando a substituição parcial do farelo de trigo por farelo de milho, uma alternativa que pode reduzir custos de produção.
O experimento avaliou:
- O tempo de desenvolvimento das larvas;
- A duração da fase de pupa;
- O peso, comprimento e espessura das pupas.
Os resultados mostraram que a inclusão do milho na alimentação reduziu o tempo de desenvolvimento das larvas, sem prejudicar a qualidade dos insetos. Enquanto a dieta composta apenas por trigo levou 145 dias para o desenvolvimento larval, as dietas com milho reduziram esse período para cerca de 126 a 132 dias. Além disso, peso e espessura das pupas permaneceram estáveis, indicando que a substituição parcial do trigo é viável e economicamente interessante.
Segundo a professora Gislane, os resultados reforçam o potencial do inseto como fonte sustentável de proteína.
“Atualmente estamos pesquisando o potencial de biodegradação de plástico por esse inseto, como uma alternativa para ciclagem de nutrientes. Desta forma, fica evidente a versatilidade dos insetos e cabe a nós pesquisarmos suas potencialidades em prol de uma agricultura sustentável e equilibrada”, destacou.
Ela também destaca que a pesquisa surge em um contexto de crescente demanda global por novas fontes de alimento.
“Essa pesquisa é importante porque, a cada dia, existe maior exigência por fontes de alimento. Atualmente o Brasil já conta com diversos produtores com fazendas de insetos, como baratas e grilos, criados dentro de padrões de qualidade para a produção de proteína. Foi por isso que resolvemos pesquisar esse inseto”, explicou.
A pesquisa foi selecionada pela Fapema, em 2025, para compor o estande de apresentação na 4ª Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fenafes) e na 3ª Feira Maranhense da Agricultura Familiar (Femaf), realizadas de 26 a 29 de novembro de 2025. O reconhecimento reforça a relevância científica e social do estudo.
Para a estudante Emanuelle Cristine, a pesquisa representou um marco em sua trajetória acadêmica.
“Essa pesquisa foi muito especial para mim, porque foi minha primeira iniciação científica. Participar desse estudo com o Tenebrio molitor me fez entender, na prática, como a pesquisa exige dedicação, paciência e responsabilidade. Além disso, mostrou como a ciência pode trazer soluções reais para problemas importantes, como a busca por fontes de proteína mais sustentáveis e acessíveis. Saber que meu trabalho pode contribuir, mesmo que de forma pequena, para o avanço do conhecimento na área me deixa muito orgulhosa”, afirmou.
O estudo demonstra como a pesquisa desenvolvida na Uema pode contribuir para soluções inovadoras e sustentáveis, unindo ciência, agricultura e segurança alimentar em benefício da sociedade.
Por: Karla Álmeida
Fotos: Pesquisadora





