Pesquisadores da Uema realizam estudos com o Caracol Africano na grande Ilha de São Luís


Por em 9 de março de 2026



                                                             

Uma pesquisa do professor doutor e pesquisador Ferdinan Melo, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que tem a participação de estudantes, professores e colaboração de instituições fora do Estado, dá conta de que é necessário fazer um alerta à sociedade sobre os riscos à saúde humana quanto ao consumo do Caracol Africano (Achatina fulica) nos municípios da grande São Luís.

A pesquisa esclarece que este animal é um molusco nativo da África Oriental, introduzido no Brasil com o propósito de ser utilizado na alimentação, como uma alternativa na substituição do Cornum Aspersum, conhecido como Escargot. Informa, ainda, que, devido ao rápido crescimento populacional desordenado é considerada uma espécie invasora em vários países.

                                                             

Segundo explica o professor Ferdinan, coordenador do estudo, o Caracol Africano, classificado como praga urbana e agrícola, constitui uma ameaça à biodiversidade e à saúde pública, por ser hospedeiro intermediário de nematódeos, como o Angiostrongylus cantonensis, agente da Meningite Eosinofílica.

“A nossa intenção é investigar as ocorrências do Caracol Africano e de nematódeos com relação à saúde da população na Região Metropolitana da Ilha de São Luís. Para isso, realizamos coletas em 12 parcelas fixas nos municípios de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís, em finais de períodos chuvosos e secos nos anos de 2024 e 2025”, disse Ferdinan.

O pesquisador acrescenta que amostras foram avaliadas no Laboratório Central do Maranhão (LACEN-MA) e encaminhadas para o Laboratório de Malacologia (LRNEM-IOC), Fiocruz, Rio de Janeiro, onde foram submetidas ao processo de digestão artificial, com HCl a 0,7%. Naquelas unidades, os moluscos foram pesados e mensurados para realizar a relação massa-comprimento e identificar o fator de condição relativa. Foram coletados 473 espécimes em 2024, 348 (73,57%) no período chuvoso e 125 (26,42%) no período seco.

                                                             

Durante os trabalhos, descobriu-se que nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo da presença do molusco em toda Ilha de São Luís,  e o risco potencial de doenças (zoonoses) se tornou uma preocupação. A equipe ouviu, ainda, relatos constantes da população sobre as dificuldades de controle malacológico pelos agentes de endemias, somado a desinformação e cuidados inadequados com os terrenos baldios, quintais e jardins, que podem estar ligadas direta ou indiretamente à presença desses moluscos.

Observou-se, também, que, esses animais tanto adultos como jovens, mostraram-se ter grande capacidade de adaptação em situações ambientais adversas, possibilitando sua reprodução e, que, as condições antrópicas promovem a manutenção e proliferação desses caracóis, principalmente em locais com saneamento básico precário.  Esperamos que os resultados deste estudo forneçam medidas de controle eficazes, contribuindo para a promoção da saúde dentro do contexto de ‘Uma Só Saúde’, alerta o professor Ferdinan.

                                                                                 

O professor esclarece que o ciclo de vida do nematódeo tem como hospedeiros definitivos os roedores. Mas os humanos, por sua vez, atuam como hospedeiros acidentais, sendo infectados da mesma forma que os ratos, por meio da ingestão desses caracóis, caramujos ou lesmas contaminados no terceiro estágio de desenvolvimento.

Ferdinan conclui ressaltando que, uma vez, esses animais no organismo humano, desenvolvem larvas, que atingem o estágio subadulto, e, a maioria desses vermes, após migrarem pelo tecido cerebral, acabam matando seus portadores. O comprometimento neurológico observado nos indivíduos infectados resulta um processo inflamatório desencadeado pelo sistema imunológico.

                                                                                 

Equipe de colaboradores na pesquisa

Prof. Dr. Guilherme Mota da Silva Laboratório de Malacologia-LMALAC IOC- FIOCRUZ; Daniel Soares Saraiva – Doutorando PPGCA UEMA; Nathália Medeiros Guimarães – Doutoranda PPG BIONORTE; Rivaldo Costa Almeida – Doutorando PPGCA UEMA; Anna Maria Fonseca Roma – Bolsista Iniciação Científica UEMA; Sarah Jéssica Morais Brandão – Bolsista de Extensão UEMA; e Thaynara Kênia Garcez Pinheiro – Bolsista de Extensão UEMA.

Por Alcindo Barros

Fotos cedidas pelo pesquisador



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