Pesquisadoras do PELD Gurupi participam do 36º Congresso Brasileiro de Zoologia e destacam conservação na Amazônia maranhense
Por Assessoria de Comunicação Institucional em 4 de março de 2026
As professoras da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Campus Caxias, Dra. Joseleide T. Câmara e Dra. Camila Sant’Anna, integrantes do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) Gurupi, participaram do 36º Congresso Brasileiro de Zoologia (CBZOO), considerado o maior evento científico da área no país.
O congresso está sendo realizado em Foz do Iguaçu (PR), reunindo pesquisadores de diversas instituições nacionais e internacionais para debater avanços científicos, conservação da biodiversidade e desafios socioambientais.
Na última terça-feira (3), as pesquisadoras integraram a mesa-redonda intitulada “Elas coletam; elas pesquisam e elas divulgam: vivências entre a conservação e o desenvolvimento sustentável em uma REBIO na Amazônia maranhense”, mediada pela Dra. Rafaella Falaschi, da Universidade de São Paulo (USP).
Durante o encontro, foram compartilhadas experiências e resultados das atividades científicas e de extensão desenvolvidas na Reserva Biológica do Gurupi (REBIO do Gurupi), uma das áreas mais estratégicas para a conservação da biodiversidade na Amazônia maranhense.
As pesquisadoras destacaram a relevância da unidade de conservação para a manutenção de espécies nativas e para a provisão de serviços ecossistêmicos essenciais, como regulação climática, proteção de recursos hídricos e manutenção da diversidade genética.
Durante o debate com o público, foram abordadas as ameaças constantes enfrentadas pela região, especialmente a perda de florestas primárias em decorrência da expansão da pecuária e do avanço de plantações de eucalipto.
Outro ponto central da discussão foi o impacto dessas transformações sobre as comunidades tradicionais que vivem no entorno da reserva. Segundo as pesquisadoras, os processos de degradação ambiental associados ao chamado arco do desmatamento na Amazônia afetam diretamente os modos de vida dessas populações, ampliando desafios sociais e econômicos.
Na apresentação, também foram detalhadas as ações do protocolo científico do PELD Gurupi e os principais resultados obtidos até o momento. O projeto foi implantado em 2021, na região norte da REBIO do Gurupi. A primeira fase foi concluída em 2025, dando início à segunda etapa de pesquisas, que seguirá até 2028.
Coordenado pela Uema, o programa tem contribuído de forma significativa para a produção de dados ecológicos de longo prazo, fundamentais para compreender dinâmicas ambientais e subsidiar políticas públicas voltadas à conservação.
Na etapa final da apresentação, a professora Joseleide T. Câmara, coordenadora da equipe de Divulgação e Educação Ambiental do PELD Gurupi, destacou o trabalho de comunicação científica desenvolvido junto às comunidades do entorno da reserva.
As ações incluem levantamento de demandas locais, produção de materiais didáticos e realização de atividades de educação ambiental voltadas a estudantes, professores e moradores. Entre os públicos prioritários estão comunidades de assentamentos e povos indígenas da região.
A pesquisadora ressaltou ainda a importância das parcerias institucionais para o fortalecimento das iniciativas de conservação, especialmente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e com secretarias municipais de meio ambiente, com destaque para o município de Bom Jardim (MA).
Apesar dos desafios sociais, ambientais e econômicos enfrentados na região maranhense, as pesquisadoras reforçam que os estudos conduzidos pelo PELD Gurupi têm desempenhado papel fundamental na ampliação do conhecimento científico e na busca por soluções sustentáveis para a conservação da Amazônia maranhense.
Por: Karla Álmeida


