Projeto do Campus Colinas leva transformação para Unidade Prisional da cidade e incentiva a consciência ética e sustentável

Diretora do Campus Colinas e o Diretor Adjunto da Unidade Prisional

Diretora do Campus Colinas e o Diretor Adjunto da Unidade Prisional

Nos últimos 20 anos, a população mundial cresceu menos que o volume de lixo por ela produzido. A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei 12.305/10) considera resíduo sólido todo material, substância, objeto ou bem produzido por atividade humana em estado sólido, semissólido, gasoso (contido em recipientes), ou ainda líquido, cujo descarte deliberado em esgotos ou corpos d’água seja proibido, a menos que sejam realizados tratamentos prévios, que permitam tal descarte.

O acúmulo e os impactos causados por eles são pautas cada vez mais constantes nas discussões de órgãos governamentais e não governamentais ligados à conservação ambiental. Diante disso, a gestão ambiental torna-se uma prática de suma importância para a implementação de princípios socioambientais no ideário coletivo.

Sendo assim, sabendo que o papel ao ser utilizado pela comunidade acadêmica (impressões de documentos, ofícios, artigos, avaliações etc.), por muitas vezes vira lixo sem alternativa de ser reciclado, e que a UEMA apoia iniciativas de inserção à sustentabilidade, se faz necessário ações que não apenas incentivem a redução do uso do papel, mas que colabore com a coleta e destino dos papeis utilizados nos setores administrativos e pelos docentes.

Dessa forma, o Campus Colinas realiza o projeto “Papel Transformador: implantação da coleta de papel para reciclagem”. O intuito é desenvolver uma visão crítica e uma consciência ética junto aos funcionários, docentes e discentes frente à prática atual de descarte de papel no Campus, com vistas à implementação de um plano de ação para a coleta de papel e reutilização do mesmo pela Unidade Prisional da cidade.

“Nós desenvolvemos alguns projetos na área da sustentabilidade e um deles é esse. A ideia é poder contribuir no processo de desenvolvimento de uma consciência ética e sustentável a respeito da responsabilidade do descarte correto de papel, objetivando diminuir os impactos gerados pelo acúmulo de papel”, explicou a Diretora do Campus Colinas, Profa.Cícera Borba.

Ela, ainda, complementou: “Nós fornecemos o papel e os detentos tem a oportunidade de transformar esse papel em arte, dando, assim, prioridade para reciclagem. E em contrapartida nós ainda temos a mão de obra desses detentos que fazem a nossa limpeza externa no Campus e, com isso, eles conseguem reduzir a pena. Então, para nos é um projeto belíssimo porque de fato o papel está transformando vidas”.

Detentos durante as oficinas de reciclagem.

Detentos durante as oficinas de reciclagem.

COMO FUNCIONA 
São Disponibilizadas caixas em todos os setores do Campus para coleta dos papéis utilizados pelos funcionários e alunos em suas rotinas, para que sejam coletados e pesados mensalmente. Os papeis de preferência devem ser limpos e secos.

As coletas são realizadas por meio da parceria com a Unidade Prisional de Colinas-UPR, que atualmente contribui com o sistema de remição de pena por trabalho (Artigo 126 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984) dos internos, que realizam artesanato, reutilizando papeis.

“Temos um grupo chamado Arte Livre, que conta com detentos, que fazem parte do projeto. Além do papel, usamos todo tipo de material reciclável, como plástico, pneus, vidros, pet e etc. e, por meio de oficinas, esse material é utilizado para produção de cadernos, sacolas, origami, canudos e muito mais. Além da consciência ambiental tem a questão da geração de lucro para os detentos. E eles adoram e sempre pedem por mais”, destacou a Psicóloga da Unidade Prisional, Tássia Marília.

Além disso, a ideia é que os cadernos produzidos (ainda em fase de teste) sejam doados para crianças carentes da região. “No caso do projeto, esse é o intuito principal nessa parceria com a UEMA”, realça a psicóloga.

“A realização de ações de sensibilização e capacitação são importantes para consolidar as responsabilidades socioambientais e incentivar mudanças de atitudes não só no meio ambiente, como também no espaço físico da universidade”, finalizou a Profa. Cícera.

Por Paula Lima

Compartilhar.